Possibilitar travessia(s) no mar da vida a partir da fala.
Aquele que se põe a falar traz algo do mais profundo do mar de si mesmo para a superfície, onde a própria fala se põe como um barco e vai, não fica, parte, navega! A terapia, por vezes é descobrir que existem âncoras lá no fundo do mar de quem se é, que vão se acumulando no decorrer da nossa vida. Algumas, lançadas por nós mesmos, outras por pessoas e situações que aconteceram. E mais, parte delas pode estar lá há tanto tempo que nem sequer são lembradas, mas estão lá! E não deixam fazer movimento, sair do lugar, por mais que se queira.
Às vezes são bem pesadas e cheias de crostas, mas apesar disso e por isso, pode-se em terapia, puxá-las e olhar para elas de uma nova maneira. Decidir o que fazer com as âncoras: quem sabe limpar algumas ao seu modo, no seu tempo e seguir com elas para utilizá-las lá na frente (ou não); já com outras, abrir mão, não carregá-las mais e a partir disso fazer v-ida. Navegar para um novo lugar, se sentir (mais) livre, sabendo mais sobre a própria viagem e quem sabe, ter a sensação de que se está com os pés (ainda mais) na própria vida.
Texto: Fazer terapia: um navegar em si mesmo, Abraão Lira.